sábado, 27 de março de 2010

A Gota De Orvalho


Severamente mergulhado numa pequena e gelada gota de orvalho à qual não sei as suas razões. Nasceu de um indeterminado e infinito manto azul que de vez em quando transporta consigo derradeiras manchas de algodão de fumo branco, que quando sujas escurecem, e trouxeram até mim a gota de orvalho onde estou encurralado! Gostava eu que esta gota de orvalho fosse uma bola de sabão à qual uma criança vinha tentar rebentar, e dando-se esse acontecimento soltava-me com a sua verdadeira e sincera inocência, sem querer pedir nada em troca, e esboçando o seu confortante e esplêndido sorriso. Criança, essa que eu anseio tanto vir a ser para poder viver no maravilhoso mundo de imaginação, naquele mundo onde podemos ter o direito de sentir-nos felizes, mesmo que, não sabendo o que significa a palavra “felicidade” na realidade e na veracidade! Receio porém que esse dia não vai chegar! Suspeito até que esta gota de orvalho, em que eu estou enjaulado, só irá evaporar se num brilhante e enriquecedor dia de Sol, houver a dignidade de um raio dar-se ao trabalho de o fazer. No entanto, continuo á espera! Aproveitei então para me sentar neste macio e molhado interior da gota de orvalho e pensar como será o mundo lá fora, melhor ou pior, que o mundo que vivi antes de ser severamente mergulhado neste pequena e gelada gota de orvalho.

quinta-feira, 25 de março de 2010

SENTIMENTO CANSADO




Depois do nosso sentimento falar tudo aquilo que tinha para falar, a cada segundo que passa, ele sente-se cansado e começa a fechar os olhos. Depois de fechar os olhos, mete-se de orelhas empinadas e tenta escutar alguma coisa, mas apercebe-se que não há nada para ouvir e acaba por adormecer.   

sexta-feira, 12 de março de 2010

Segue O Vento


Quando o vento sopra contra ti
Não sabe para onde vai
Não tem caminho a seguir
Nem sequer cai

Não consegue pensar
Passa o dia a correr
Tudo leva a perguntar
Mas ele não quer saber

Não deixes o coração começar a chorar
Agarra-te á razão, tudo vai mudar
Segue o vento, tu vais conseguir
Pensa que eu sinto o que tu estás a sentir

Depois sopras sem razão
Ninguém te vai apontar
Não vives na solidão
Pois em todos podes tocar

Não consegues pensar
Passas o dia a correr
Tudo leva a perguntar
mas tu não queres saber

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vou Desistir!


Sentido que eu não sei explicar! Tanto penso para escolher o melhor, para poder saber se está tudo certo! Nada quer empurrar o poder oculto que sinto dentro de mim, um sentimento indefinido na minha cabeça, que nunca sei como reagir quando ele aparece! Ninguém quer ficar com ele? Acho que cheguei ao fundo, cheguei ao fim, ao fim do caminho, já não há mais para caminhar. Então parei, e pensei: agi da melhor maneira que achei, na altura, poder agir e agora aqui estou, ainda estou aqui parado no beco sem saída criado por mim, criado pelo meu sentimento que não quer encontrar-se com o poder oculto que me afundou, e que acaba sempre por aparecer, VOU DESISTIR! Vou desistir dos sonhos irreais que sonhei, das historias ilusórias que imaginei. Já sabia que viver num mundo que não existe provocava grandiosos sonhos falsos, mas mesmo assim deixei-me ir, acabei no impossível, num impossível que não posso ter, mas um mesmo impossível que não posso esquecer!
«Tu, Personalidade Indeterminada

Quem Serei Agora?


Sou quem sempre fui! Aquele que nunca soube o que fazer! Quando surgirá essa luz que se torna tão necessária nestes momentos da minha vida? Resposta que não posso obter, pergunta que pode ter como resposta NUNCA. Apaga a luz da escuridão profunda e acende a escuridão da luz emocional. Fechar os olhos e sentir o profundo sentimento de tristeza, sentir tudo bem nítido na cabeça, perceber que estamos certos no lugar errado, só tu, personalidade indeterminada, me provocas esta colisão de sentimentos opostos que não posso evitar. És puramente inocente no meu sentimento interior que te tornas implacável no meu consciente! Não poderei eu sentir-te longe tal como te sinto agora tão perto? Não poderei eu fechar os olhos e quando acordar voltar ao meu mundo real? Pobre, ingénuo e cruel pensamento que me fazes escrever barbaridades que nem eu próprio entendo. Ai cruel sentimento presente em mim que me provocas tanta tristeza como felicidade e que depois de me por a superfície também me afunda até bater com a cabeça no fundo do oceano. Com tanta profundidade, com tanta água em cima de mim não tenho mais forças para nadar e voltar á superfície. Torna-se tudo tão difícil, tão impossível! Será que a minha vida vai ter de ser agora vivida no fundo do oceano e ir encontrando uma ou outra moeda de ouro perdida á longos anos por navios que naufragaram? Será bom ter só de vez em quando momentos de felicidade e prazer? Vou agora ter de descobrir os segredos de um fundo do oceano indeterminado, cheio de armadilhas, cheio de perigos! Vou agora descansar e deixar que algo flutue até mim e me dê confiança para poder encontra-los.

domingo, 7 de março de 2010

As Palavras Desfocadas


«Que a minha ausência te faça sentir um vazio, como o vazio que eu sinto com a tua ausência»: palavras difíceis de dizer, mas que demonstram a seriedade do meu sentimento. Tudo demonstrar que é difícil estar sem ti, cada segundo é trágico quando não estás por perto, cada segundo é mais trágico quando penso que é impossível. Nós que sonhamos com fogos a congelar, com gelo a arder, com estas coisas impossíveis de acontecerem e fazem me pensar: «tantas coisas impossíveis que eu penso, que cheguei a pensar que te poderia ter». Tudo é uma ilusão a cada momento que passo contigo, sinto uma felicidade inexplicável, mas no próximo momento que estou sem ti, acho que não estive no sítio certo, que não era a minha praia, que não era, no filme da vida, o capítulo que eu devia estar. Depois penso: «porque me faz tão feliz uma coisa que me provoca tanto sofrimento». Confuso, mas difícil de se aguentar. Eu não sei explicar nada, tudo o que faço, digo ou penso é porque alguém me manda agir dessa forma, alguém chamado de Coração, que provoca todos os tipos de sentimentos. Sinto-me bem a fazer tudo aquilo que me faz feliz, tudo aquilo que acho que devia fazer feliz quem eu gosto, mas não. Tudo isto se encontra numa felicidade singular, onde se ultrapassa todos os limites do nosso espírito para buscar alguma coisa que nos faz sorrir, mas que essas coisas não existem porque não há nada que as alimente. O tempo se escassa e eu vivo na aflição de não saber o que fazer, de não entender o porquê das coisas, de tentar lutar para não pensar que vai haver um fim, e que nesse fim vou dizer que tudo passou de uma perda de tempo, mas que na altura era o que eu queria, era o que eu senti, o que eu sonhava. Será que não posso tornar nesta ‘perda de tempo’ em ‘tempo útil’?
Porque não posso eu saber fazer as coisas como devem ser feitas? Porque é que não posso agir como alguém normal e irracional que faz o que quer sem se quer preocupar com os outros? Gostava de saber pôr o mundo atrás de mim, mas sei que não o posso fazer já que nem uma pessoa desse mundo consigo fazer com que me veja como aquele ser único. Será que estou a insistir numa coisa (chamo-lhe coisas porque não sei que nome tem) que não é real. Alguma coisa fruto da minha imaginação, imaginação essa que sai do coração. Porque será que escrevo sobre isto quando podia simplesmente mudar de rumo?
Às vezes penso se não estou a ser castigado pelo que fiz no passado, castigado para sentir o que os outros sentiram quando eu não queria aproximar-me por este ou aquele motivo. Se é isso gostava de dizer: CHEGA! Eu já percebi que cometi erros e erros por ter medo do que iriam pensar os outros, mas agora quero mudar, já não quero saber dos outros, dos outros que são só ‘más línguas’ que acham que eles é que fazem bem e nós mal. Eu agora estou disposto a entregar-me aquilo que acho que devo entregar. Só queria uma oportunidade para mostrar que tudo mudou! Uma oportunidade para mostrar que é verdadeiro, tudo aquilo que eu disse que sinto, tudo o que sei, agora sei que sinto! Porque não aparece essa oportunidade? Serei eu sempre censurado por o que já fiz de mal?
No meio de tantos porquês, ainda há muitas perguntas, perguntas essas que ninguém sabe responder. Ou estarei enganado? Se calhar em que saiba responder, não a todas mas algumas. Talvez quem está do lado de lá a ver-me sentir e não mostrar o que sente. É difícil viver assim! Tenho de provocar o fim AGORA! Para isso há uma resposta, que sendo sincera, pode me magoar, mas fazer com que abra os olhos (pois parece que ando com eles fechados, sempre a bater com a cabeça e mesmo assim não os abro para ver onde bati). Esta é a resposta à pergunta: O QUE ESTÁS A SENTIR?

«Desfocadas são as palavras que eu não sei explicar»