terça-feira, 25 de maio de 2010

Já Me Estou A Passar



Prego a fundo nesta viagem e se diga de passagem, que mudou
Vou querer sentir o cheiro seja ou não do ribeiro, que passou
Ponho música a curtir, já não te posso ouvir, como estou
Travo o carro de repente, por causa de uma corrente, que cortou  

Sei saber o que és
Este foi rés-vés 
Tenho o mundo a meus pés
Até quando  vieres

Quero olhar e sorrir
Vou ficar e fugir
Vou sentar e dizer
Quero-te ver a mexer
É o mundo em que estou
tudo pra aproveitar
Uma boca que falou
Já me estou a passar

Estaciona na garagem e deixo aberta a bagagem, que eu abri
Saio para ca pra fora, isto aqui já não demora, e reparo em ti
Olho para o teu rosto, parece ser do meu gosto, e sorri
Comecei logo a correr, não te queria perder, e desci

Sei saber o que és
Este foi rés-vés
Tenho o mundo a meus pés 
Até quando tu vieres

Quero olhar e sorrir
Vou ficar e fugir
Vou sentar e dizer
Quero-te ver a mexer
É o mundo em que estou
tudo pra aproveitar
Uma boca que falou
Já me estou a passar´

Quero olhar e sorrir
Vou ficar e fugir
Vou sentar e dizer
Quero-te ver a mexer
É o mundo em que estou
tudo pra aproveitar
Uma boca que falou
Já me estou a passar


segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Tempo Não Volta Atrás



Já não somos o passado, que ficou pr’atrás
Sinto o corpo gelado, e nada ele faz
Posso sentar-me aqui, a pensar num momento
Fecho os olhos a fim, de chorar por dentro

Debaixo da tua silhueta, vou descansar
Pensar que é uma treta, vai começar
Finjo saber descobrir, o universo
A minha face vai reflectir, no teu inverso

Mas na verdade, nada vai mudar
O mundo gira, e o tempo não volta atrás

Mas quando chega a noite, deito-me debaixo do luar
A luz incide no meu coração, e começo a cantar
A guitarra já só toca por ti, não vai acabar
O tempo não volta atrás
Não volta atrás

Se o teu corpo irá partir, vai voltar
Mergulho o pensamento em ti, vou lá ficar
Sinto que tudo pára, por nos dois
Tudo o que o tempo sara, só depois

sábado, 15 de maio de 2010

Encantadora Menina de Rosa







Cantava uma Menina de Rosa no seu maravilhoso e espaçoso campo! Colhia as flores, rebola no chão, saltava, corria, ficava, pensava. Era feliz! O seu contacto com os animais, com as flores, com o campo, era magnífico. A Menina era encantadora. Esboçava o seu lindo sorriso que despertava olhares a todos que passavam. Exprimia os seus brilhantes olhos que faziam iluminar mentes perdidas. Soltava o seu belo cabelo nas frescas frisas da manhã e alertava todos os corações curiosos que passavam. Movimentava o seu deslumbrante corpo ao sabor do vento que espantava quem caminhava por tais caminhos: tão próximos do campo. Doce e inocente Menina que, com o seu simples permanecer no mundo, colocou todo o mundo em repouso, para admirarem sua pura e majestosa beleza. Eram muitos os seus pretendentes, mas nenhum conseguira ter a capacidade para amar tão bonita Rapariga. No entanto, num dia, em que excelentes raios de sol irradiavam a linda cabeça da menina, passara, despercebido, um pequeno Rapaz de Azul, que nunca antes teria passado por tal admirável campo (onde estava presente a tal encantadora Menina.). Ficou admirado! Olhou intensamente a pequena Rapariga, revelando-lhe um rosto rosado de vergonha, de timidez. Mesmo sendo sempre a Rapariga tão desejada por multidões de corações andantes, nunca tinha contemplado tal Menino. Ninguém poderá saber o que passou naquele momento na cabeça dos dois meninos, mas o certo é que a partir de então, o maravilhado Rapaz passou uma, duas, três, várias vezes por aquele campo para admirar a inofensiva Rapariga. Tudo começou a tornar-se diferente! Agora os dois Meninos guardavam para dentro de seus corações a timidez e despertavam de si belos sorrisos quando perto um do outro. Sentiam-se como já se conhecessem desde sempre! Não poderiam eles saber seu passado! O que se sabia era que o Menino gostava de se encontrar com a sua encantadora Menina. Extenso tempo se passou, e a rotina era sempre a mesma, mas a cada dia surgiam palavras novas, sorrisos novos e fazia emergir cada vez mais para o alto o sentimento interior dos dois Meninos. Um dia, o Rapaz de Azul decidiu revelar novas palavras que pensara não entrarem no dicionário do coração da Rapariga de Rosa. Passou tempos e tempos a alimentar uma saudade. Não ia passar pelo campo, pois encontrava-se a pensar como iria reagir a sua maravilhosa Amada. Sabia que o sentimento dentro dele era real, era verdadeiro, era sério! Certo dia, o Menino, por uma vez na vida, respirou determinação, coragem, confiança, desejo intenso, e colocou, de novo, pernas a caminho até ao espaçoso campo. Quando chegou lá, não se depara com a Rapariga. Sentira que a saudade não tinha chegado ao coração dela. Então, pegou num bocado de telha perdido no chão, arrancou um pedaço de madeira partida da vedação que estava a contornar todo o campo e escreveu tudo o que sentia, tentando mostrar toda a veracidade do sentimento escrito, e pedindo uma resposta. Colocou-o no chão, esperando que fosse a Rapariga, que tinha conhecido e, da mesma maneira se apaixonado, que a encontrasse. Mais tempo esperou, mas nenhuma notícia teve até então. Estupidez suou na cabeça do rapaz, quando se lembrou que a Rapariga não sabia onde encontrá-lo. Então voltou ao seu adorado caminho de ida até ao campo. Quando lá chegou, com a sua aselhice e com a sua pressa, tropeçou num pequeno pedaço de madeira. Neste destacava-se a palavra «INSEGURANÇA». O Menino leu e releu, não quis acreditar que acabariam ali os seus maravilhosos dias, que tinha passado com a Menina. Deixou-o, agora, a pensar! Como poderia ter, a Menina, fugido? Como poderia o Menino ter-se enganado tanto ao tentar desvendar o brilho do coração da Rapariga? Como poderia continuar a viver o Menino com aquela dor? Isso tudo não passava de perguntas e suposições que sararam logo que, por mero acaso (talvez), se voltaram a cruzar os olhares dos dois Jovens. Todos os sentimentos foram revelados só no olhar, mas as palavras tornaram tudo mais claro, e o Menino apercebeu-se que era muito difícil estar longe da sua especial Menina e que queria manter a sua relação com ela. Ela também aparentou um rosto triste, que se virou alegre quando tudo se esclareceu! Assim, a Menina de Rosa voltou de novo para o campo, e o Menino de Azul passou outra vez a caminhar pela estrada, até ao encontro dela. Agora a encantadora Menina esboçava o seu lindo sorriso e fazia despertar o olhar do Menino; exprimia os seus brilhantes olhos e fazia iluminar a mente do Menino; soltava o seu belo cabelo nas frescas frisas da manhã e alertava o coração apaixonado do Menino; movimentava o seu deslumbrante corpo ao sabor do vento e espantava o Menino que caminhava por aquele caminho tão alegre, tão próximo do campo. Mais tantos dias se passaram e, apesar de alegre, o Menino tinha na mente a «INSEGURANÇA» daquela fascinante Jovem. Ficou sem saber o que fazer! Continuava a sua especial e interessante rotina, mas sempre a pensar naquilo que tanto lhe incomodava o coração, e que ele queria mudar. Gostava ele de poder incutir à Menina a «CONFIANÇA», sobrepondo-a à «INSEGURANÇA», e fazendo esta desaparecer.




“ – Esperarei por ti! Esperarei por ti até estares preparada! Esperarei por ti até não poder mais! – assegurou o Menino – Quero que saibas que tudo é real e verdadeiro! Quero conquistar a tua confiança, e inspirar ao teu Coração Segurança! “  

sábado, 8 de maio de 2010

As Quatro Estações


Uma pequena criança andava alegremente perdida nos caminhos da vida, desfrutando os doces e quentes raios do seu amigo - o Sol - que lhe faziam a boca sorrir, os olhos brilhar e revelavam o seu tenro rosto contente. Estava perdido, mas não tinha essa noção, então brincava com os animais, brincava com as árvores, brincava com o chão que pisava e assim se sentia feliz, podendo desfrutar ao máximo todos os poucos momentos felizes que a vida lhe poderia oferecer. Sabia que a sua maior amiga era a Natureza. Era com ela que ele mais brincava e passava os seus maravilhosos dias. Perto dela, a pequena criança não conhecia a palavra chorar, pelo que nunca libertara dos seus orgulhosos olhos uma gota de água sofrida. A criança crescia a cada momento que passava junto da natureza e o seu alargado sorriso ia esvanecendo. Ao mesmo tempo os animais fugiam, as flores murchavam, as árvores perdiam as folhas, o Sol escondia-se, durante todo o dia, detrás das nuvens que teimavam em passar por cima da cabeça da pequena e crescida criança. A Natureza sentiu a criança afastar-se. Sentiu que ela já não sentia felicidade a brincar ali. Então quando a pequena criança circulava as desanimadas pernas em direcção a um novo e desconhecido destino a Natureza entristeceu tanto, mas tanto que começou a chorar chuva do céu. O menino viu uma gota de água a cair, mesmo em frente aos seus pés. Perguntou-se que seria aquilo. Não obteve resposta. Mas deparou-se com mais gotas de água e pensou, por isso, que sendo aquilo, uma nova realidade, podia aproveitar e brincar com ela. Então corria da esquerda para direita, da direita para a esquerda, da frente para trás, de trás para a frente, aos ziguezagues, aos círculos, aos saltos, para se desviar das suas novas amigas – as Gotas de Água. Assim voltou a alargar o seu sorriso, revelou um brilho intenso dos olhos que despertou uma maravilhosa alegria na Natureza. No entanto, de tanto saltar, de tanto correr em círculos, aos ziguezagues, de trás para a frente, da frente para trás, da direita para a esquerda, da esquerda para a direita, a pobre e pequena criança declarou um estado de cansaço inevitável. A Natureza não gostou de ver tal cansaço no seu velho e grande amigo, então inspirou fundo e sopro ventos frios, com a sua mais potente força, contra as gotas de água, congelando-as de imediato. Assim surgiu a neve. Rapidamente a criança se levantou e começou a tocar o manto branco com as suas curiosas mãos. Achou ali um novo brinquedo. Pegou em pequenos pedaços de neve, amolgou-os fazendo surgir bolas de neve e mandou-as contra tudo o que era sítio: para o ar, contra o chão. Sentiu falta de um amigo. Então fez emergir uma bola gigante de neve. A seguir fez uma outra bola de neve, ligeiramente mais pequena que a interior. Segurou nela e colocou-a sobre a outra. Pegou em ramos, em pedras e outros objectos perdidos no caminho, para que o seu monte de neve se parecesse com um seu novo amigo – o Boneco de Neve. Então começou a atirar as pequenas bolas de neve contra o seu amigo. Era para a bola de baixo, para a bola de cima, para os ramos a fazerem de membros superiores, para as pedras a fazer de boca, para a cenoura a fazer de nariz, para os botões a fazerem de olhos, para os pedaços de arbusto a fazerem de cabelo. Mas tanto os arbustos, como os botões, como a cenoura, como as pedras, como os ramos caíram, e ate o boneco de neve se desfez. Mais uma vez surgiu um desagrado no rosto terno do menino. A natureza já não sabia que mais fazer para que o seu amigo não fosse embora. De repente parou de chorar e despertou de novo o Sol! Chamou todos os animais, alertou todas as flores, avisou todas as árvores, para se juntarem a ela e fazerem um jogo, onde a pequena criança iria participar. Então, soprou ventos contra o seu amigo, que o fez recuar no caminho. Depois ela e os seus outros amigos, as flores, as arvores e os animais, chamaram pela pequena criança. Quando esta ouviu, desatou a correu ao encontro da natureza, mas quando chegou lá, o sol estava coberto por uma grande nuvem. Por mais estranho que parecesse a pequena criança, essa nuvem desceu ate a superfície e envolveu-a dentro de si. A criança já via tudo desfocado. Com pena, senta-se no chão, mas surge uma voz ao longe: «este é o jogo das escondidas. Tens de nos encontrar.». Conheceu assim um novo amigo – o Nevoeiro. Mais uma vez o sorriso encantador da pequena criança surgiu, e alargou-se de orelha a orelha. A criança pôs-se firme e desatou á procura dos seus velhos e eternos amigos.



Quando um amigo nos vê sorrir, sorri connosco. Quando um amigo nos vê chorar, chora connosco. Quando um amigo nos vê partir, não nos diz para ficar, vai connosco. Quando um amigo nos vê triste, não entristece connosco, mas dá-nos razões para ficarmos felizes.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Meu Deserto

Esboças um sorriso
De querer estar
Abres a porta
Mas deixas-te ficar

Sentes o momento
E distingues o meu ser
Soltas uma lágrima
e voltas a dizer:

Já não quero mais
Sentir, olhar, sorrir
Amar
Deixo tudo que ficou p’ra trás

Vou saber descer
O teu calor, o teu rosto
Iluminar
Deixo tudo que ficou p’ra trás
Só quero ser eu e o teu corpo
Num momento ideal
Estica as palavras do sonho
E dá-me um sinal
Sinto o teu sabor e o meu mundo
Desperto
És toda a areia do meu deserto

Encostas o teu mundo
Ao meu coração
Sentas-te na areia
E dá-se o apagão

Revelo o deserto
Em que tu vais sentir
Uma nova palavra
Vai surgir

Já não quero mais
Sentir, olhar, sorrir
Amar
Deixo tudo que ficou p’ra trás

Vou saber descer
O teu calor, o teu rosto
Iluminar
Deixo tudo que ficou p’ra trás