sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal e Bom Ano Novo!!!

Depois do Ricardo Araújo inventar tudo na PT, apareceu o Miguel que também fui entrevistado...   



Repórter: Vamos falar um bocadinho do FELIZ NATAL…
Miguel: “Feliz Natal” que fui eu que inventei! O Pai Natal chamou-me queria fazer qualquer coisa e eu “Feliz Natal” e o pessoal “iiieena pah!” e eu “pois é”, queres ver? Psst… Feliz Natal…
TODOS: iiieena pah!
Miguel: Pois é!... Viste?
Repórter: Portanto, a seguir ao “Feliz Natal” vem o Ano Novo…
Miguel: “Ano Novo” o mais giro é que fui eu que inventei também! Antigamente não havia ano novo era sempre o mesmo ano e eu “Ano Novo”, e as pessoas que estavam ouvir disseram “épah c’um catano” e eu “bai buscare”, queres ver? Psst pah “Ano Novo”
TODOS: épah c’um catano!
Miguel: bai buscare!... Viste eu, ãh…
Repórter: Bem, no natal oferecemos presentes…
Miguel: “Presentes” que fui eu que inventei também! Primeiro pensei no “P” e depois, ai e tal, “presentes” disse eu, para oferecer no natal e assim, “presentes” e as pessoas “presentes? Uba uba ararara” e eu “épah também já estamos áparvalhar” queres ver?
TODOS: uba uba ararara
Miguel: épah também já estamos aparvalhar, vês?
Repórter: Bom, a maneira necessária para um bom natal é juntar os familiares…
Miguel: “familiares” que sou eu que invento! Primeiro inventei a família, mas pensei “não está mau, mas não batia tanto…” e depois “pera, familiares” disse eu, e as pessoas “familiares? Épah, este individuo não só é genial, como aparenta ser espectacular na cama”, queres ver? Pah, “familiares”…
TODOS: Épah, este individuo não só é genial, como aparenta ser espectacular na cama..
Miguel: Vês?...
Repórter: Outra característica do natal é que só o desejamos às pessoas fixes…
Miguel: Desejar às pessoas fixes que também fui eu que inventei, que antigamente as pessoas diziam “épah, eu bem quero desejar, mas não sei a quem desejar” e eu “épah, desejar às pessoas fixes” e malta “pera é isso, não mexas mais” e eu “pudera”, queres ver? Psst… Desejar ás pessoas fixes…
TODOS: é isso não mexas mais…
Miguel: pudera… viste?
Repórter: Basicamente você intentou, hum.. tudo…
Miguel: naahh… também não vamos exageram com o.. sim, fui eu que inventei tudo!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Dor



Num momento sincero
Decidi ser o melhor
Por isto eu espero
Apagar toda a nossa dor

Toda a nossa dor
Que alguém um dia nos deu
Por isso te peço: por favor
Junta o teu mundo ao meu

Apagaremos sem saber
Nós queremos o mundo
Sentiremos todo o prazer
E surgiremos lá do fundo

Já nada é igual
Nós lutaremos pra sempre
E quando tudo for banal
Tu estarás contente

Tu estarás contente
Por saber de cor
Que seguindo em frente
Apagaremos essa dor

Apagaremos sem saber
Nós queremos o mundo
Sentiremos todo o prazer
E surgiremos lá do fundo

Surgiremos lá do fundo
Sentiremos todo o prazer
Nós queremos o mundo
Apagaremos sem saber

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

"TUDO" OU "NADA"

«Que tempo espera por nós? Já não sabemos contar o 12 traços que dividem o nosso relógio. É um mundo aparte daquele que queremos viver. Se tudo o que eu não soubesse fosse ler as horas no relógio não seria muito difícil enfrentar as barreiras que se atravessam. Se não as saltasse as duas horas da tarde, saltarias mais tarde, mas sempre as conseguiria transpor  Agora assim não. Não tenho força nas pernas para tal tamanho. Não tenho destreza nos braços para tal impulso. Nem inteligência para descobrir uma maneira mais fácil de saltar o muro. Então limito-me a ter “nada”. “Nada” é uma palavra á qual não podemos designar uma coisa. Nós nunca temos “nada”, porque se não, não poderíamos escrever, pensar, comer, sentir, chorar. Temos “tudo”, embora não tendo “nada”. Melhor dizendo, temos “tudo” embora, para nós, esse tudo seja “nada”, logo temos “nada”. Tudo anda à volta do “tudo” ou “nada”, mas para isso precisamos de saber o que é “tudo” e o que é “nada”. Agora questiono-me: Alguém sabe o que é “tudo” e o que é “nada”? Hum, eu não sei se sei, mas sei que “tudo”, não tenho, nem nunca vou ter. Mas sei que não quero ter “nada”. Para alguns, “tudo” será aquilo que nos faz viver, aquilo que nos faz feliz. A comida, o oxigénio, a água fazem-nos sobreviver. Deste modo, já temos um pouco do “tudo”, então já não temos “nada”, mas sim um “quase tudo”. Descobrimos, então um novo estado: o “quase tudo”. Será que termos um “quase tudo”, nos fará felizes? Talvez não. Então pensaremos no que nos faz feliz. Sabendo o que nos faz feliz, avaliamos o que temos e tentamos completar o que começou, sendo “nada”, e passou agora a “quase tudo”, e está a espera de poder ser “tudo”. Enquanto isso aguardamos num “quase, quase tudo”.»


Um pequeno menino, que já sabia ler, encontrou esta folha escrita num chão sujo e molhado, e com a sua curiosidade de ler, começou a decifrar (através do que a professora lhe tinha ensinado na escola) cada palavra, de cada frase do texto. Ele julgava não perceber nada, no entanto perceberia tudo. Ele apercebeu-se que quando estava na escola, principalmente no recreio, a brincar com os seus (verdadeiros) amigos, se sentia com tudo. Então afirmaria bem alto: EU TENHO TUDO! No entanto, quando o sol se punha e a lua aparecia, o pobre menino deixava esse tudo e ia para casa dos pais. Não tinha o tudo que tinha tido á tarde, mas tinha outro tudo como os seus brinquedos, a televisão, os pais, o resto da família e até os animais de estimação. Mais uma vez ele podia afirmar: EU TENHO TUDO! Mas sabia que este tudo seria diferente do tudo que teria de tarde. Deste modo o menino apercebeu-se que nunca tinha "nada", tinha sempre "tudo", e sentia-se feliz.


No entanto, esse menino cresceu e tornou-se um de nós. Um que não sabe se tem “tudo” ou “nada”. Ou um “quase tudo”. Ou um “quase, quase tudo”. Vejamos, mas que isso importa? O que importa não é ter, é sentir felicidade!

domingo, 21 de novembro de 2010

Gritar Por Ti



Caminhando numa estrada eu disse “Adeus”
Tu viraste-me a cara e disseste “Adeus”
Vou revelar-te um dos segredos meus
E juntar ao passado que é teu

Vou voltar
Vou ficar
Eu vou gritar por ti
Faz-me ser o que sempre quis
Faz-me ser o que sempre quis
Vou voltar
Vou ficar
Eu vou gritar por ti

Caminhando numa estrada eu disse “Adeus”
Tu viraste-me a cara e disseste “Adeus”
Vou revelar-te um dos segredos meus
E juntar ao passado que é teu

Sou eu
És tu
Somos nós
São eles
É ela
Sois vós
Vou gritar
Vou gritar
Eu vou gritar

Voltarei
Ficarei
Eu vou gritar por ti
Faz-me ser o que sempre quis
Faz-me ser o que sempre quis
Vou voltar
Vou ficar
Eu vou gritar por ti
Faz-me ser o que sempre quis
Faz-me ser o que sempre quis




sábado, 20 de novembro de 2010

Quem Sou


Por momento revelei saber
O que poderia ser
O que eu queria

Lamentamos não olhar
Ao presente que está a passar
E que eu saberia

Deixo ficar o que for
Viro o tempo até pôr
O que eu vivi

E agora quero saber voltar
Sem se quer me lembrar
Do que senti


Não, não fico à espera
Não, tudo já era e agora sou?


Sou poeta sem saber porquê
Sou pintor sem saber de quê
Sou escritor sem saber ler
Sou alguém que não sabe o que fazer


Tudo ficou por dizer
Mesmo sem se perceber
O que eu seria

Agora posso entender
Que não sei o que fazer
Mas mesmo assim sorria

Já não quero mais pensar
E saber confirmar
Para onde vou

Quero parar de fingir
E saber distinguir
Quem eu sou



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Só Ela Me Compreende


Todos nós temos momentos de grande inspiração, talvez nem ao olhos de todos de trate disso, mas devemos ser nós a avaliar isso. 
Quando nos sentimos num desses momentos, tentamos exprimir o que estamos a sentir, da melhor maneira e da forma que melhor achamos. 
Eu faço-o junto à minha viola: só ela me compreende bem.


Em cada momento, um sentimento!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Miss Bairro

Uma rua, estou á toa!
Uma casa com uma pessoa
Quem será que está ai
Tem cuidado vem para ti

É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
Que está aqui!

É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
Que está aqui!

Provocadora, espevitada
Vinha do Bairro toda arranjada
Até revirei o meu olhar
Quando vi a Miss passar

É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
Que está aqui!

É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
Que está aqui!

É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
É a Miss Bairro
Que está aqui!









'Tás a gozar? ;)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A MINHA AMIGA LUA



Estava escuro. Lembrei-me de que o Sol era muito contente, porque ele estava sempre connosco de dia e todos o podiam observar e todos podiam falar-lhe. Isto fez-me ter pena da pobre Lua, que vive a noite quase sozinha. Quase porque durante a noite ela pode ver aquelas pessoas malucas que andam na rua as tantas, onde a maioria já estão estateladas no chão por causa do álcool. Pior do que ela passar a noite toda a ver estes pelintras é poder observar as pobres pessoas que vivem na rua, porque não tem casa. Resumidamente, a Lua vê a desgraça do mundo. Na escola aprendi que a Lua é o único, como é que é o nome, hum, ah! Satélite Natural da Terra. À noite, às vezes, tem a companhia das estrelas, mas elas estão tão longe que nem devem poder conversar. Foi assim que eu decidi ir para a varanda observar a Lua e fazer-lhe companhia, e se possível, conversar com ela para saber mais. 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Hey, Soul Sister

Num lugar calmo, com um pequeno gesto de bondade do tempo, um menino e uma menina cruzaram seus caminhos. Ela era muito bonita. Tinha os seus cabelos meios ruivos, era alta, aparência irresistível aos olhos de todos, mas foi a sua simplicidade, a sua simpática que mais impressionou o menino. Mesmo sendo desconhecidos, caminharam pelos mesmos sítios. Ele era feliz ao pé dela. Todos os sorrisos, todos os olhares, todos os gestos eram lembrados todos os dias pelo menino e isso tornou a presença da bonita menina necessária na vida do alegre menino. Durante o tempo que os dois meninos passaram, foram revelados novas qualidades na menina que tornaram a amizade que já tinha nascido, que já existia, mais forte e mais verdadeira.
Apesar de todas as dificuldades, a forte menina conseguiu ultrapassá-las, e ele sentia a obrigação de apoia-la, não só por ela também ter sido o seu maior apoio, não só por ela estar a precisar naquele momento, mas, principalmente, por todo a amizade entre ele e ela.

Hoje, a menina faz anos e não há melhor presente que lembrar os tempos passados. Tudo isto se encontra na minha memória. Também sei que o mesmo está na memória da menina, menina esta que não é mais nem menos do que a minha melhor amiga, da qual eu gosto imenso. É uma pessoa que não vou esquecer por ter sido e ser tão importante para mim. Agora, neste dia tão especial para ela, tenho a obrigação de mantê-la feliz e sei que tudo pode passar por um simples gesto. Desta maneira decidi colocar aqui o videoclip daquela que consideramos ser: A NOSSA MÚSICA!

Hey, Soul Sister - Train     

                              

Dedicação especial à Mariana Silvino! 


PARABÉNS, Bestinha! =D

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O "AGORA"


Não poderia, nem posso saber o que sou aos olhos do resto do mundo! Não posso conhecer esse meu “eu” que demonstro aos outros. Também não conheço todos os “eu” que me constituem, certamente, são muitos, muitos e com características diferentes, mas sempre com o mesmo coração. Confronto-me todos os dias com a relação passado e futuro, unidos pelo presente, presente esse que é cada o “agora”, mas que passado um segundo esse “agora” passa a ser passado. Neste agora que já será passado, eu pensei e comecei a escrever. Não sabia o que iria sair nas palavras que escrevia, mas nem agora sei. Vou é adivinhando a cada “agora” que passa. Sinto, porém, que a minha vida teve outro início, é como o livro da minha vida fosse relatado não como uma historia coerente e uniforme, mas com várias histórias de um rapaz que tem formas diferentes de viver, mas sempre com as suas características iniciais, sempre com a aparência inicial, sempre, e mais importante, como o mesmo coração que sempre teve. É este menino que chora por um passado, que a seu ver não foi muito bom, mas mesmo assim sente saudades. Sente a angústia de não ter sido diferente. No entanto, ele quer aproveitar cada momento da sua vida mais presente, para compensar todos os momentos que perdeu. Infelizmente, a vida proporciona-lhe certos contratempos que o faz estar sempre em estados emocionais diferentes e que lhe traz desconforto.

Esta nova fase da minha vida mostrou-me que, havia uma forma de poder conversar com alguém que não questiona-se o que eu fiz, por apesar de bem ou mal fiz consciente no momento que surgiu. Então, escrevo, escrevo da melhor maneira que sei, da maneira que o meu coração me leva a escrever, e sai isto. A alegria, a tristeza, o orgulho, a angústia. É o que me leva a reproduzir no papel virtual do computador as letras, dando origens a palavras, a frases, a um texto, a um sentimento revelado.  

domingo, 20 de junho de 2010

O (MEU) SONHO


Hoje acordei a pensar em ti! É normal, mas hoje foi diferente, pois pensei em ti por causa de um sonho que tive. Não posso mesmo classificar como um sonho, pois fez me surgir em mim um aperto no coração. Mesmo assim, vou tratá-lo como sonho. Não sei bem o seu significado, mas fiquem com uma impressão, como se o sonho tivesse mostrado um fim. Apesar de confuso, apercebi-me que em todo o sonho, apesar de tu estares lá presente, só nos encontramos uma vez, mas mesmo desse vez nem tu querias estar ali, tentavas fugir. O resto foi sempre uma luta ao teu encontro. Mas nunca aconteceu. Tenho a impressão que no meu sonho eu dormia e que tinha que acordar cedo para ir ter contigo. Consegui acordar, mas de repente as horas avançaram e já eram duas horas. Como o cenário era em tempo de aulas já não podia estar contigo. Mesmo assim fui, e depois de tanta coisa confusa que já nem me lembro, cheguei a uma sala (nem sei se era na escola), e estava lá muita gente, mas não te encontrei. No sonho, eu era arrogante, estava alegre, mesmo estando sempre a tua procura e nunca te conseguindo encontrar. Depois de ter acordado com um aperto no coração, fiquei confuso e deu-me vontade de te contactar, no entanto não o consegui, nem sabia que dizer. Agora deu-me a vontade de escrever, vontade de te contar isto. 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Hoje Vim Visitar-te!




Estava sozinho. Então sentei-me no relvado verde que tenho no exterior de minha casa. Espreguicei bruscamente o meu corpo e deitei-me numa posição confortável. Ergui os meus braços, no alto da minha cabeça, unindo as mãos e colocando-as debaixo da minha nuca. Depois dobrei cuidadosamente as minhas cansadas pernas e coloquei-as de forma a se segurarem uma à outra. Estava pronto para uma cesta. Vinha esta com o propósito de não pensar no meu bom ou mau dia que tinha tido. Não sabia distinguir o bom do mau, pois a cada dia que passava da minha vida tudo se mostrava relativo. «Hoje tive um dia bom, mas ontem também foi bom! O dia não foi o mesmo, acontecerem coisas diferentes» pensava eu. Depois parava o meu raciocínio do “BOM” e lembrava-me «tive um dia mau, mas anteontem o dia foi mau, mas não foi tão mau como o do outro dia». Era assim que começava a conversa para mim mesmo, mas acabava sempre confuso. Então, arranjei uma actividade de “passar pelas brasas” e, deste modo ter a falsa sensação de não pensar. Sei que não é real, mas enquanto isso não ouço o meu poderoso músculo – o coração – a bater, a sentir.
Assim aconteceu! Adormeci, e sem dar conta disso já estava naquele mundo misterioso que nós nunca sabemos como vai ser – o sonho. Nem sempre tem esse nome, porque quando não gostamos: quando nos faz acordar de repente, em sobressalto, chamamos-lhe pesadelo.
Desta vez estava a ter um sonho. Mas desta vez os meus olhos viam-me. Significa isto que, nós costumamos ser uma personagem que só pode ver o mundo a volta. Desta vez não. Eu era o universo! Eu estava no sonho e via-me lá, naquele maravilhoso mundo. Era a personagem principal! Estava sorridente! A felicidade era a característica mais visível na minha personagem. Andava pelos campos a colher flores. Ouvia os animais, brincava com alguns deles. Que mundo deslumbrante que me ensinava coisas incríveis. Lá podia subir as árvores como um chimpanzé e olhar de cima delas. Podia voar como uma águia e ver o mundo de cima. Podia ser um leopardo e correr muito rápido. Era livre! Mas, de repente surgiu um barulho. Estranho era tal barulho, tão intenso, num país perfeito, tão silencioso. Não imaginara eu que o barulho vinha do mundo que nós todos conhecemos – o mundo real. Era a campainha. «Maldita campainha» gritei eu para mim mesmo. Fui ao portão. Já via ao longe um ser que nunca tinha visto. Conforme me aproximei, fixava a cara e apercebia-me que talvez já tivesse visto aquele rosto em algum lado. Mas quando olhei para o corpo, não associei a uma pessoa tão forte. Quando a ela me viu esboçou um sorriso e disse:
– Olá! Ainda te lembras de mim?
Não podia ver o meu rosto, mas imaginava ser de parvoíce. Eu não sabia quem era, nem se quer se já a tinha visto em algum lado. No entanto, aprecei-me na resposta:
– Olá! Na verdade não me consigo lembrar de ti. Sei que conheço a tua cara de algum lado, mas não me lembro bem!
Ela notou o meu desconforto nas palavras que eu disse, e então alargou o sorriso de modo a pôr-me mais a vontade.
– Já nos conhecemos! Já nos encontramos várias vezes, mas desta vez venho mais forte! – Disse ela sempre sorridente.
– Eu costumo ter boa memória fotográfica, mas em nomes sou muito fraquinho! – Informei eu.
– Sou a Saudade!
– A Maria Dolores da Saudade dos Santos? – Exclamei eu confuso.
– Não, tonto, sou mesmo só a Saudade! – Afirmou, rindo-se baixinho.
– Isso é possível? A Saudade não é humana! Como podes estar aqui em frente a mim?
– Eu sou humana, sim! E serei, agora, a tua melhor amiga. Hoje vim visitar-te! – Exclamou ela, não parando de mostrar a sua brilhante dentadura.
Eu deixei-me ficar. Aquele momento parecia irreal. Fiquei alguns segundos sem saber o que dizer, sem saber que fazer. Mas pensei: «Se é minha amiga, vou convida-la para entrar! Ela veio visitar-me. Eu até estava sozinho e tudo!». Exprimi um sorriso com ela e convidei-a para entrar.
Subimos as escadas em curva. Abri a grande porta de madeira da frente de minha casa e dirigimo-nos até á sala. Estiquei o braço e em seguida a mão apontando para o sofá de modo a dar a entender que estava a convidá-la para se sentar. Ela delicadamente pediu licença e sentou-se. Eu fiz o mesmo e começamos a conversar.


*


– Acorda, acorda!
Estavam a berrar alto nos meus ouvidos. Isso já era demasiado frustrante, mas para além disso, a abanar-me bruscamente o corpo, segurando-me pelos ombros.
– Para onde foi ela? – Perguntei eu, ensonado e, inevitavelmente, confuso.
– Ela quem? – Exclamou o António.
– Que estás aqui a fazer? Eu estava com a Saudade! Estava sou eu e ela! – Resmunguei.
– A Maria Dolores da Saudade dos Santos? Que veio ela cá fazer? – Admirou-se ele.
– Não, a Saudade! Veio visitar-me. Deu ar de sua graça. Sorriu para mim. Entrou comigo até a sala e tivemos a conversar. Deu-me a mão e esteve comigo o dia todo!
Neste instante, surgiu, de repente, uma dor no meu peito. Já não ouvi mais o António. Para dizer a verdade já nem o via. A dor era tão grande, que tinha que serrar os dentes e apertar o peito com as minhas mãos de modo a suavizá-la. Mas não adiantava. Era grande a inexplicável dor e chorei! Foi neste instante que ouvi uma voz. Logo notei que era a voz da Saudade. «Não estive contigo só um dia inteiro! Vou estar contigo para sempre». As lágrimas continuavam a formar-se nos meus olhos e a escorrer pela minha face. Erguia o braço em frente aos olhos e com toda a força esfregava os olhos a limpar as lágrimas. E a dor? Essa não passava! O aperto no coração que a Saudade me provocou, continuava, continuava… e continua.   


«Terça-feira, 8 de Junho de 2010:
Hoje, Diário, revelo-te um segredo. Hoje a Saudade veio visitar-me. Prometeu ser minha amiga. Quer andar comigo para todo o lado, sempre dentro de mim, dentro do meu coração. Jurou ficar comigo para sempre.
Eu não posso negá-la. Tive grandes momentos e tenho a necessidade de recordá-los. A Saudade mostra-me o quão importante foram todos esses momentos e o quanto marcaram a minha vida.
Agora não vivo sozinho! Tenho dentro de mim a Saudade. Tenho dentro do meu coração mais que a Saudade, mais que as Recordações, tenho todos os amigos. Todos têm o seu espaço.
Assim, da próxima vez que tocar a campainha, vou a correr abrir, pode ser mais alguém importante!» 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Já Me Estou A Passar



Prego a fundo nesta viagem e se diga de passagem, que mudou
Vou querer sentir o cheiro seja ou não do ribeiro, que passou
Ponho música a curtir, já não te posso ouvir, como estou
Travo o carro de repente, por causa de uma corrente, que cortou  

Sei saber o que és
Este foi rés-vés 
Tenho o mundo a meus pés
Até quando  vieres

Quero olhar e sorrir
Vou ficar e fugir
Vou sentar e dizer
Quero-te ver a mexer
É o mundo em que estou
tudo pra aproveitar
Uma boca que falou
Já me estou a passar

Estaciona na garagem e deixo aberta a bagagem, que eu abri
Saio para ca pra fora, isto aqui já não demora, e reparo em ti
Olho para o teu rosto, parece ser do meu gosto, e sorri
Comecei logo a correr, não te queria perder, e desci

Sei saber o que és
Este foi rés-vés
Tenho o mundo a meus pés 
Até quando tu vieres

Quero olhar e sorrir
Vou ficar e fugir
Vou sentar e dizer
Quero-te ver a mexer
É o mundo em que estou
tudo pra aproveitar
Uma boca que falou
Já me estou a passar´

Quero olhar e sorrir
Vou ficar e fugir
Vou sentar e dizer
Quero-te ver a mexer
É o mundo em que estou
tudo pra aproveitar
Uma boca que falou
Já me estou a passar


segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Tempo Não Volta Atrás



Já não somos o passado, que ficou pr’atrás
Sinto o corpo gelado, e nada ele faz
Posso sentar-me aqui, a pensar num momento
Fecho os olhos a fim, de chorar por dentro

Debaixo da tua silhueta, vou descansar
Pensar que é uma treta, vai começar
Finjo saber descobrir, o universo
A minha face vai reflectir, no teu inverso

Mas na verdade, nada vai mudar
O mundo gira, e o tempo não volta atrás

Mas quando chega a noite, deito-me debaixo do luar
A luz incide no meu coração, e começo a cantar
A guitarra já só toca por ti, não vai acabar
O tempo não volta atrás
Não volta atrás

Se o teu corpo irá partir, vai voltar
Mergulho o pensamento em ti, vou lá ficar
Sinto que tudo pára, por nos dois
Tudo o que o tempo sara, só depois

sábado, 15 de maio de 2010

Encantadora Menina de Rosa







Cantava uma Menina de Rosa no seu maravilhoso e espaçoso campo! Colhia as flores, rebola no chão, saltava, corria, ficava, pensava. Era feliz! O seu contacto com os animais, com as flores, com o campo, era magnífico. A Menina era encantadora. Esboçava o seu lindo sorriso que despertava olhares a todos que passavam. Exprimia os seus brilhantes olhos que faziam iluminar mentes perdidas. Soltava o seu belo cabelo nas frescas frisas da manhã e alertava todos os corações curiosos que passavam. Movimentava o seu deslumbrante corpo ao sabor do vento que espantava quem caminhava por tais caminhos: tão próximos do campo. Doce e inocente Menina que, com o seu simples permanecer no mundo, colocou todo o mundo em repouso, para admirarem sua pura e majestosa beleza. Eram muitos os seus pretendentes, mas nenhum conseguira ter a capacidade para amar tão bonita Rapariga. No entanto, num dia, em que excelentes raios de sol irradiavam a linda cabeça da menina, passara, despercebido, um pequeno Rapaz de Azul, que nunca antes teria passado por tal admirável campo (onde estava presente a tal encantadora Menina.). Ficou admirado! Olhou intensamente a pequena Rapariga, revelando-lhe um rosto rosado de vergonha, de timidez. Mesmo sendo sempre a Rapariga tão desejada por multidões de corações andantes, nunca tinha contemplado tal Menino. Ninguém poderá saber o que passou naquele momento na cabeça dos dois meninos, mas o certo é que a partir de então, o maravilhado Rapaz passou uma, duas, três, várias vezes por aquele campo para admirar a inofensiva Rapariga. Tudo começou a tornar-se diferente! Agora os dois Meninos guardavam para dentro de seus corações a timidez e despertavam de si belos sorrisos quando perto um do outro. Sentiam-se como já se conhecessem desde sempre! Não poderiam eles saber seu passado! O que se sabia era que o Menino gostava de se encontrar com a sua encantadora Menina. Extenso tempo se passou, e a rotina era sempre a mesma, mas a cada dia surgiam palavras novas, sorrisos novos e fazia emergir cada vez mais para o alto o sentimento interior dos dois Meninos. Um dia, o Rapaz de Azul decidiu revelar novas palavras que pensara não entrarem no dicionário do coração da Rapariga de Rosa. Passou tempos e tempos a alimentar uma saudade. Não ia passar pelo campo, pois encontrava-se a pensar como iria reagir a sua maravilhosa Amada. Sabia que o sentimento dentro dele era real, era verdadeiro, era sério! Certo dia, o Menino, por uma vez na vida, respirou determinação, coragem, confiança, desejo intenso, e colocou, de novo, pernas a caminho até ao espaçoso campo. Quando chegou lá, não se depara com a Rapariga. Sentira que a saudade não tinha chegado ao coração dela. Então, pegou num bocado de telha perdido no chão, arrancou um pedaço de madeira partida da vedação que estava a contornar todo o campo e escreveu tudo o que sentia, tentando mostrar toda a veracidade do sentimento escrito, e pedindo uma resposta. Colocou-o no chão, esperando que fosse a Rapariga, que tinha conhecido e, da mesma maneira se apaixonado, que a encontrasse. Mais tempo esperou, mas nenhuma notícia teve até então. Estupidez suou na cabeça do rapaz, quando se lembrou que a Rapariga não sabia onde encontrá-lo. Então voltou ao seu adorado caminho de ida até ao campo. Quando lá chegou, com a sua aselhice e com a sua pressa, tropeçou num pequeno pedaço de madeira. Neste destacava-se a palavra «INSEGURANÇA». O Menino leu e releu, não quis acreditar que acabariam ali os seus maravilhosos dias, que tinha passado com a Menina. Deixou-o, agora, a pensar! Como poderia ter, a Menina, fugido? Como poderia o Menino ter-se enganado tanto ao tentar desvendar o brilho do coração da Rapariga? Como poderia continuar a viver o Menino com aquela dor? Isso tudo não passava de perguntas e suposições que sararam logo que, por mero acaso (talvez), se voltaram a cruzar os olhares dos dois Jovens. Todos os sentimentos foram revelados só no olhar, mas as palavras tornaram tudo mais claro, e o Menino apercebeu-se que era muito difícil estar longe da sua especial Menina e que queria manter a sua relação com ela. Ela também aparentou um rosto triste, que se virou alegre quando tudo se esclareceu! Assim, a Menina de Rosa voltou de novo para o campo, e o Menino de Azul passou outra vez a caminhar pela estrada, até ao encontro dela. Agora a encantadora Menina esboçava o seu lindo sorriso e fazia despertar o olhar do Menino; exprimia os seus brilhantes olhos e fazia iluminar a mente do Menino; soltava o seu belo cabelo nas frescas frisas da manhã e alertava o coração apaixonado do Menino; movimentava o seu deslumbrante corpo ao sabor do vento e espantava o Menino que caminhava por aquele caminho tão alegre, tão próximo do campo. Mais tantos dias se passaram e, apesar de alegre, o Menino tinha na mente a «INSEGURANÇA» daquela fascinante Jovem. Ficou sem saber o que fazer! Continuava a sua especial e interessante rotina, mas sempre a pensar naquilo que tanto lhe incomodava o coração, e que ele queria mudar. Gostava ele de poder incutir à Menina a «CONFIANÇA», sobrepondo-a à «INSEGURANÇA», e fazendo esta desaparecer.




“ – Esperarei por ti! Esperarei por ti até estares preparada! Esperarei por ti até não poder mais! – assegurou o Menino – Quero que saibas que tudo é real e verdadeiro! Quero conquistar a tua confiança, e inspirar ao teu Coração Segurança! “  

sábado, 8 de maio de 2010

As Quatro Estações


Uma pequena criança andava alegremente perdida nos caminhos da vida, desfrutando os doces e quentes raios do seu amigo - o Sol - que lhe faziam a boca sorrir, os olhos brilhar e revelavam o seu tenro rosto contente. Estava perdido, mas não tinha essa noção, então brincava com os animais, brincava com as árvores, brincava com o chão que pisava e assim se sentia feliz, podendo desfrutar ao máximo todos os poucos momentos felizes que a vida lhe poderia oferecer. Sabia que a sua maior amiga era a Natureza. Era com ela que ele mais brincava e passava os seus maravilhosos dias. Perto dela, a pequena criança não conhecia a palavra chorar, pelo que nunca libertara dos seus orgulhosos olhos uma gota de água sofrida. A criança crescia a cada momento que passava junto da natureza e o seu alargado sorriso ia esvanecendo. Ao mesmo tempo os animais fugiam, as flores murchavam, as árvores perdiam as folhas, o Sol escondia-se, durante todo o dia, detrás das nuvens que teimavam em passar por cima da cabeça da pequena e crescida criança. A Natureza sentiu a criança afastar-se. Sentiu que ela já não sentia felicidade a brincar ali. Então quando a pequena criança circulava as desanimadas pernas em direcção a um novo e desconhecido destino a Natureza entristeceu tanto, mas tanto que começou a chorar chuva do céu. O menino viu uma gota de água a cair, mesmo em frente aos seus pés. Perguntou-se que seria aquilo. Não obteve resposta. Mas deparou-se com mais gotas de água e pensou, por isso, que sendo aquilo, uma nova realidade, podia aproveitar e brincar com ela. Então corria da esquerda para direita, da direita para a esquerda, da frente para trás, de trás para a frente, aos ziguezagues, aos círculos, aos saltos, para se desviar das suas novas amigas – as Gotas de Água. Assim voltou a alargar o seu sorriso, revelou um brilho intenso dos olhos que despertou uma maravilhosa alegria na Natureza. No entanto, de tanto saltar, de tanto correr em círculos, aos ziguezagues, de trás para a frente, da frente para trás, da direita para a esquerda, da esquerda para a direita, a pobre e pequena criança declarou um estado de cansaço inevitável. A Natureza não gostou de ver tal cansaço no seu velho e grande amigo, então inspirou fundo e sopro ventos frios, com a sua mais potente força, contra as gotas de água, congelando-as de imediato. Assim surgiu a neve. Rapidamente a criança se levantou e começou a tocar o manto branco com as suas curiosas mãos. Achou ali um novo brinquedo. Pegou em pequenos pedaços de neve, amolgou-os fazendo surgir bolas de neve e mandou-as contra tudo o que era sítio: para o ar, contra o chão. Sentiu falta de um amigo. Então fez emergir uma bola gigante de neve. A seguir fez uma outra bola de neve, ligeiramente mais pequena que a interior. Segurou nela e colocou-a sobre a outra. Pegou em ramos, em pedras e outros objectos perdidos no caminho, para que o seu monte de neve se parecesse com um seu novo amigo – o Boneco de Neve. Então começou a atirar as pequenas bolas de neve contra o seu amigo. Era para a bola de baixo, para a bola de cima, para os ramos a fazerem de membros superiores, para as pedras a fazer de boca, para a cenoura a fazer de nariz, para os botões a fazerem de olhos, para os pedaços de arbusto a fazerem de cabelo. Mas tanto os arbustos, como os botões, como a cenoura, como as pedras, como os ramos caíram, e ate o boneco de neve se desfez. Mais uma vez surgiu um desagrado no rosto terno do menino. A natureza já não sabia que mais fazer para que o seu amigo não fosse embora. De repente parou de chorar e despertou de novo o Sol! Chamou todos os animais, alertou todas as flores, avisou todas as árvores, para se juntarem a ela e fazerem um jogo, onde a pequena criança iria participar. Então, soprou ventos contra o seu amigo, que o fez recuar no caminho. Depois ela e os seus outros amigos, as flores, as arvores e os animais, chamaram pela pequena criança. Quando esta ouviu, desatou a correu ao encontro da natureza, mas quando chegou lá, o sol estava coberto por uma grande nuvem. Por mais estranho que parecesse a pequena criança, essa nuvem desceu ate a superfície e envolveu-a dentro de si. A criança já via tudo desfocado. Com pena, senta-se no chão, mas surge uma voz ao longe: «este é o jogo das escondidas. Tens de nos encontrar.». Conheceu assim um novo amigo – o Nevoeiro. Mais uma vez o sorriso encantador da pequena criança surgiu, e alargou-se de orelha a orelha. A criança pôs-se firme e desatou á procura dos seus velhos e eternos amigos.



Quando um amigo nos vê sorrir, sorri connosco. Quando um amigo nos vê chorar, chora connosco. Quando um amigo nos vê partir, não nos diz para ficar, vai connosco. Quando um amigo nos vê triste, não entristece connosco, mas dá-nos razões para ficarmos felizes.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Meu Deserto

Esboças um sorriso
De querer estar
Abres a porta
Mas deixas-te ficar

Sentes o momento
E distingues o meu ser
Soltas uma lágrima
e voltas a dizer:

Já não quero mais
Sentir, olhar, sorrir
Amar
Deixo tudo que ficou p’ra trás

Vou saber descer
O teu calor, o teu rosto
Iluminar
Deixo tudo que ficou p’ra trás
Só quero ser eu e o teu corpo
Num momento ideal
Estica as palavras do sonho
E dá-me um sinal
Sinto o teu sabor e o meu mundo
Desperto
És toda a areia do meu deserto

Encostas o teu mundo
Ao meu coração
Sentas-te na areia
E dá-se o apagão

Revelo o deserto
Em que tu vais sentir
Uma nova palavra
Vai surgir

Já não quero mais
Sentir, olhar, sorrir
Amar
Deixo tudo que ficou p’ra trás

Vou saber descer
O teu calor, o teu rosto
Iluminar
Deixo tudo que ficou p’ra trás