terça-feira, 29 de junho de 2010

Hey, Soul Sister

Num lugar calmo, com um pequeno gesto de bondade do tempo, um menino e uma menina cruzaram seus caminhos. Ela era muito bonita. Tinha os seus cabelos meios ruivos, era alta, aparência irresistível aos olhos de todos, mas foi a sua simplicidade, a sua simpática que mais impressionou o menino. Mesmo sendo desconhecidos, caminharam pelos mesmos sítios. Ele era feliz ao pé dela. Todos os sorrisos, todos os olhares, todos os gestos eram lembrados todos os dias pelo menino e isso tornou a presença da bonita menina necessária na vida do alegre menino. Durante o tempo que os dois meninos passaram, foram revelados novas qualidades na menina que tornaram a amizade que já tinha nascido, que já existia, mais forte e mais verdadeira.
Apesar de todas as dificuldades, a forte menina conseguiu ultrapassá-las, e ele sentia a obrigação de apoia-la, não só por ela também ter sido o seu maior apoio, não só por ela estar a precisar naquele momento, mas, principalmente, por todo a amizade entre ele e ela.

Hoje, a menina faz anos e não há melhor presente que lembrar os tempos passados. Tudo isto se encontra na minha memória. Também sei que o mesmo está na memória da menina, menina esta que não é mais nem menos do que a minha melhor amiga, da qual eu gosto imenso. É uma pessoa que não vou esquecer por ter sido e ser tão importante para mim. Agora, neste dia tão especial para ela, tenho a obrigação de mantê-la feliz e sei que tudo pode passar por um simples gesto. Desta maneira decidi colocar aqui o videoclip daquela que consideramos ser: A NOSSA MÚSICA!

Hey, Soul Sister - Train     

                              

Dedicação especial à Mariana Silvino! 


PARABÉNS, Bestinha! =D

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O "AGORA"


Não poderia, nem posso saber o que sou aos olhos do resto do mundo! Não posso conhecer esse meu “eu” que demonstro aos outros. Também não conheço todos os “eu” que me constituem, certamente, são muitos, muitos e com características diferentes, mas sempre com o mesmo coração. Confronto-me todos os dias com a relação passado e futuro, unidos pelo presente, presente esse que é cada o “agora”, mas que passado um segundo esse “agora” passa a ser passado. Neste agora que já será passado, eu pensei e comecei a escrever. Não sabia o que iria sair nas palavras que escrevia, mas nem agora sei. Vou é adivinhando a cada “agora” que passa. Sinto, porém, que a minha vida teve outro início, é como o livro da minha vida fosse relatado não como uma historia coerente e uniforme, mas com várias histórias de um rapaz que tem formas diferentes de viver, mas sempre com as suas características iniciais, sempre com a aparência inicial, sempre, e mais importante, como o mesmo coração que sempre teve. É este menino que chora por um passado, que a seu ver não foi muito bom, mas mesmo assim sente saudades. Sente a angústia de não ter sido diferente. No entanto, ele quer aproveitar cada momento da sua vida mais presente, para compensar todos os momentos que perdeu. Infelizmente, a vida proporciona-lhe certos contratempos que o faz estar sempre em estados emocionais diferentes e que lhe traz desconforto.

Esta nova fase da minha vida mostrou-me que, havia uma forma de poder conversar com alguém que não questiona-se o que eu fiz, por apesar de bem ou mal fiz consciente no momento que surgiu. Então, escrevo, escrevo da melhor maneira que sei, da maneira que o meu coração me leva a escrever, e sai isto. A alegria, a tristeza, o orgulho, a angústia. É o que me leva a reproduzir no papel virtual do computador as letras, dando origens a palavras, a frases, a um texto, a um sentimento revelado.  

domingo, 20 de junho de 2010

O (MEU) SONHO


Hoje acordei a pensar em ti! É normal, mas hoje foi diferente, pois pensei em ti por causa de um sonho que tive. Não posso mesmo classificar como um sonho, pois fez me surgir em mim um aperto no coração. Mesmo assim, vou tratá-lo como sonho. Não sei bem o seu significado, mas fiquem com uma impressão, como se o sonho tivesse mostrado um fim. Apesar de confuso, apercebi-me que em todo o sonho, apesar de tu estares lá presente, só nos encontramos uma vez, mas mesmo desse vez nem tu querias estar ali, tentavas fugir. O resto foi sempre uma luta ao teu encontro. Mas nunca aconteceu. Tenho a impressão que no meu sonho eu dormia e que tinha que acordar cedo para ir ter contigo. Consegui acordar, mas de repente as horas avançaram e já eram duas horas. Como o cenário era em tempo de aulas já não podia estar contigo. Mesmo assim fui, e depois de tanta coisa confusa que já nem me lembro, cheguei a uma sala (nem sei se era na escola), e estava lá muita gente, mas não te encontrei. No sonho, eu era arrogante, estava alegre, mesmo estando sempre a tua procura e nunca te conseguindo encontrar. Depois de ter acordado com um aperto no coração, fiquei confuso e deu-me vontade de te contactar, no entanto não o consegui, nem sabia que dizer. Agora deu-me a vontade de escrever, vontade de te contar isto. 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Hoje Vim Visitar-te!




Estava sozinho. Então sentei-me no relvado verde que tenho no exterior de minha casa. Espreguicei bruscamente o meu corpo e deitei-me numa posição confortável. Ergui os meus braços, no alto da minha cabeça, unindo as mãos e colocando-as debaixo da minha nuca. Depois dobrei cuidadosamente as minhas cansadas pernas e coloquei-as de forma a se segurarem uma à outra. Estava pronto para uma cesta. Vinha esta com o propósito de não pensar no meu bom ou mau dia que tinha tido. Não sabia distinguir o bom do mau, pois a cada dia que passava da minha vida tudo se mostrava relativo. «Hoje tive um dia bom, mas ontem também foi bom! O dia não foi o mesmo, acontecerem coisas diferentes» pensava eu. Depois parava o meu raciocínio do “BOM” e lembrava-me «tive um dia mau, mas anteontem o dia foi mau, mas não foi tão mau como o do outro dia». Era assim que começava a conversa para mim mesmo, mas acabava sempre confuso. Então, arranjei uma actividade de “passar pelas brasas” e, deste modo ter a falsa sensação de não pensar. Sei que não é real, mas enquanto isso não ouço o meu poderoso músculo – o coração – a bater, a sentir.
Assim aconteceu! Adormeci, e sem dar conta disso já estava naquele mundo misterioso que nós nunca sabemos como vai ser – o sonho. Nem sempre tem esse nome, porque quando não gostamos: quando nos faz acordar de repente, em sobressalto, chamamos-lhe pesadelo.
Desta vez estava a ter um sonho. Mas desta vez os meus olhos viam-me. Significa isto que, nós costumamos ser uma personagem que só pode ver o mundo a volta. Desta vez não. Eu era o universo! Eu estava no sonho e via-me lá, naquele maravilhoso mundo. Era a personagem principal! Estava sorridente! A felicidade era a característica mais visível na minha personagem. Andava pelos campos a colher flores. Ouvia os animais, brincava com alguns deles. Que mundo deslumbrante que me ensinava coisas incríveis. Lá podia subir as árvores como um chimpanzé e olhar de cima delas. Podia voar como uma águia e ver o mundo de cima. Podia ser um leopardo e correr muito rápido. Era livre! Mas, de repente surgiu um barulho. Estranho era tal barulho, tão intenso, num país perfeito, tão silencioso. Não imaginara eu que o barulho vinha do mundo que nós todos conhecemos – o mundo real. Era a campainha. «Maldita campainha» gritei eu para mim mesmo. Fui ao portão. Já via ao longe um ser que nunca tinha visto. Conforme me aproximei, fixava a cara e apercebia-me que talvez já tivesse visto aquele rosto em algum lado. Mas quando olhei para o corpo, não associei a uma pessoa tão forte. Quando a ela me viu esboçou um sorriso e disse:
– Olá! Ainda te lembras de mim?
Não podia ver o meu rosto, mas imaginava ser de parvoíce. Eu não sabia quem era, nem se quer se já a tinha visto em algum lado. No entanto, aprecei-me na resposta:
– Olá! Na verdade não me consigo lembrar de ti. Sei que conheço a tua cara de algum lado, mas não me lembro bem!
Ela notou o meu desconforto nas palavras que eu disse, e então alargou o sorriso de modo a pôr-me mais a vontade.
– Já nos conhecemos! Já nos encontramos várias vezes, mas desta vez venho mais forte! – Disse ela sempre sorridente.
– Eu costumo ter boa memória fotográfica, mas em nomes sou muito fraquinho! – Informei eu.
– Sou a Saudade!
– A Maria Dolores da Saudade dos Santos? – Exclamei eu confuso.
– Não, tonto, sou mesmo só a Saudade! – Afirmou, rindo-se baixinho.
– Isso é possível? A Saudade não é humana! Como podes estar aqui em frente a mim?
– Eu sou humana, sim! E serei, agora, a tua melhor amiga. Hoje vim visitar-te! – Exclamou ela, não parando de mostrar a sua brilhante dentadura.
Eu deixei-me ficar. Aquele momento parecia irreal. Fiquei alguns segundos sem saber o que dizer, sem saber que fazer. Mas pensei: «Se é minha amiga, vou convida-la para entrar! Ela veio visitar-me. Eu até estava sozinho e tudo!». Exprimi um sorriso com ela e convidei-a para entrar.
Subimos as escadas em curva. Abri a grande porta de madeira da frente de minha casa e dirigimo-nos até á sala. Estiquei o braço e em seguida a mão apontando para o sofá de modo a dar a entender que estava a convidá-la para se sentar. Ela delicadamente pediu licença e sentou-se. Eu fiz o mesmo e começamos a conversar.


*


– Acorda, acorda!
Estavam a berrar alto nos meus ouvidos. Isso já era demasiado frustrante, mas para além disso, a abanar-me bruscamente o corpo, segurando-me pelos ombros.
– Para onde foi ela? – Perguntei eu, ensonado e, inevitavelmente, confuso.
– Ela quem? – Exclamou o António.
– Que estás aqui a fazer? Eu estava com a Saudade! Estava sou eu e ela! – Resmunguei.
– A Maria Dolores da Saudade dos Santos? Que veio ela cá fazer? – Admirou-se ele.
– Não, a Saudade! Veio visitar-me. Deu ar de sua graça. Sorriu para mim. Entrou comigo até a sala e tivemos a conversar. Deu-me a mão e esteve comigo o dia todo!
Neste instante, surgiu, de repente, uma dor no meu peito. Já não ouvi mais o António. Para dizer a verdade já nem o via. A dor era tão grande, que tinha que serrar os dentes e apertar o peito com as minhas mãos de modo a suavizá-la. Mas não adiantava. Era grande a inexplicável dor e chorei! Foi neste instante que ouvi uma voz. Logo notei que era a voz da Saudade. «Não estive contigo só um dia inteiro! Vou estar contigo para sempre». As lágrimas continuavam a formar-se nos meus olhos e a escorrer pela minha face. Erguia o braço em frente aos olhos e com toda a força esfregava os olhos a limpar as lágrimas. E a dor? Essa não passava! O aperto no coração que a Saudade me provocou, continuava, continuava… e continua.   


«Terça-feira, 8 de Junho de 2010:
Hoje, Diário, revelo-te um segredo. Hoje a Saudade veio visitar-me. Prometeu ser minha amiga. Quer andar comigo para todo o lado, sempre dentro de mim, dentro do meu coração. Jurou ficar comigo para sempre.
Eu não posso negá-la. Tive grandes momentos e tenho a necessidade de recordá-los. A Saudade mostra-me o quão importante foram todos esses momentos e o quanto marcaram a minha vida.
Agora não vivo sozinho! Tenho dentro de mim a Saudade. Tenho dentro do meu coração mais que a Saudade, mais que as Recordações, tenho todos os amigos. Todos têm o seu espaço.
Assim, da próxima vez que tocar a campainha, vou a correr abrir, pode ser mais alguém importante!»