terça-feira, 7 de dezembro de 2010

"TUDO" OU "NADA"

«Que tempo espera por nós? Já não sabemos contar o 12 traços que dividem o nosso relógio. É um mundo aparte daquele que queremos viver. Se tudo o que eu não soubesse fosse ler as horas no relógio não seria muito difícil enfrentar as barreiras que se atravessam. Se não as saltasse as duas horas da tarde, saltarias mais tarde, mas sempre as conseguiria transpor  Agora assim não. Não tenho força nas pernas para tal tamanho. Não tenho destreza nos braços para tal impulso. Nem inteligência para descobrir uma maneira mais fácil de saltar o muro. Então limito-me a ter “nada”. “Nada” é uma palavra á qual não podemos designar uma coisa. Nós nunca temos “nada”, porque se não, não poderíamos escrever, pensar, comer, sentir, chorar. Temos “tudo”, embora não tendo “nada”. Melhor dizendo, temos “tudo” embora, para nós, esse tudo seja “nada”, logo temos “nada”. Tudo anda à volta do “tudo” ou “nada”, mas para isso precisamos de saber o que é “tudo” e o que é “nada”. Agora questiono-me: Alguém sabe o que é “tudo” e o que é “nada”? Hum, eu não sei se sei, mas sei que “tudo”, não tenho, nem nunca vou ter. Mas sei que não quero ter “nada”. Para alguns, “tudo” será aquilo que nos faz viver, aquilo que nos faz feliz. A comida, o oxigénio, a água fazem-nos sobreviver. Deste modo, já temos um pouco do “tudo”, então já não temos “nada”, mas sim um “quase tudo”. Descobrimos, então um novo estado: o “quase tudo”. Será que termos um “quase tudo”, nos fará felizes? Talvez não. Então pensaremos no que nos faz feliz. Sabendo o que nos faz feliz, avaliamos o que temos e tentamos completar o que começou, sendo “nada”, e passou agora a “quase tudo”, e está a espera de poder ser “tudo”. Enquanto isso aguardamos num “quase, quase tudo”.»


Um pequeno menino, que já sabia ler, encontrou esta folha escrita num chão sujo e molhado, e com a sua curiosidade de ler, começou a decifrar (através do que a professora lhe tinha ensinado na escola) cada palavra, de cada frase do texto. Ele julgava não perceber nada, no entanto perceberia tudo. Ele apercebeu-se que quando estava na escola, principalmente no recreio, a brincar com os seus (verdadeiros) amigos, se sentia com tudo. Então afirmaria bem alto: EU TENHO TUDO! No entanto, quando o sol se punha e a lua aparecia, o pobre menino deixava esse tudo e ia para casa dos pais. Não tinha o tudo que tinha tido á tarde, mas tinha outro tudo como os seus brinquedos, a televisão, os pais, o resto da família e até os animais de estimação. Mais uma vez ele podia afirmar: EU TENHO TUDO! Mas sabia que este tudo seria diferente do tudo que teria de tarde. Deste modo o menino apercebeu-se que nunca tinha "nada", tinha sempre "tudo", e sentia-se feliz.


No entanto, esse menino cresceu e tornou-se um de nós. Um que não sabe se tem “tudo” ou “nada”. Ou um “quase tudo”. Ou um “quase, quase tudo”. Vejamos, mas que isso importa? O que importa não é ter, é sentir felicidade!

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