
Uma pequena criança andava alegremente perdida nos caminhos da vida, desfrutando os doces e quentes raios do seu amigo - o Sol - que lhe faziam a boca sorrir, os olhos brilhar e revelavam o seu tenro rosto contente. Estava perdido, mas não tinha essa noção, então brincava com os animais, brincava com as árvores, brincava com o chão que pisava e assim se sentia feliz, podendo desfrutar ao máximo todos os poucos momentos felizes que a vida lhe poderia oferecer. Sabia que a sua maior amiga era a Natureza. Era com ela que ele mais brincava e passava os seus maravilhosos dias. Perto dela, a pequena criança não conhecia a palavra chorar, pelo que nunca libertara dos seus orgulhosos olhos uma gota de água sofrida. A criança crescia a cada momento que passava junto da natureza e o seu alargado sorriso ia esvanecendo. Ao mesmo tempo os animais fugiam, as flores murchavam, as árvores perdiam as folhas, o Sol escondia-se, durante todo o dia, detrás das nuvens que teimavam em passar por cima da cabeça da pequena e crescida criança. A Natureza sentiu a criança afastar-se. Sentiu que ela já não sentia felicidade a brincar ali. Então quando a pequena criança circulava as desanimadas pernas em direcção a um novo e desconhecido destino a Natureza entristeceu tanto, mas tanto que começou a chorar chuva do céu. O menino viu uma gota de água a cair, mesmo em frente aos seus pés. Perguntou-se que seria aquilo. Não obteve resposta. Mas deparou-se com mais gotas de água e pensou, por isso, que sendo aquilo, uma nova realidade, podia aproveitar e brincar com ela. Então corria da esquerda para direita, da direita para a esquerda, da frente para trás, de trás para a frente, aos ziguezagues, aos círculos, aos saltos, para se desviar das suas novas amigas – as Gotas de Água. Assim voltou a alargar o seu sorriso, revelou um brilho intenso dos olhos que despertou uma maravilhosa alegria na Natureza. No entanto, de tanto saltar, de tanto correr em círculos, aos ziguezagues, de trás para a frente, da frente para trás, da direita para a esquerda, da esquerda para a direita, a pobre e pequena criança declarou um estado de cansaço inevitável. A Natureza não gostou de ver tal cansaço no seu velho e grande amigo, então inspirou fundo e sopro ventos frios, com a sua mais potente força, contra as gotas de água, congelando-as de imediato. Assim surgiu a neve. Rapidamente a criança se levantou e começou a tocar o manto branco com as suas curiosas mãos. Achou ali um novo brinquedo. Pegou em pequenos pedaços de neve, amolgou-os fazendo surgir bolas de neve e mandou-as contra tudo o que era sítio: para o ar, contra o chão. Sentiu falta de um amigo. Então fez emergir uma bola gigante de neve. A seguir fez uma outra bola de neve, ligeiramente mais pequena que a interior. Segurou nela e colocou-a sobre a outra. Pegou em ramos, em pedras e outros objectos perdidos no caminho, para que o seu monte de neve se parecesse com um seu novo amigo – o Boneco de Neve. Então começou a atirar as pequenas bolas de neve contra o seu amigo. Era para a bola de baixo, para a bola de cima, para os ramos a fazerem de membros superiores, para as pedras a fazer de boca, para a cenoura a fazer de nariz, para os botões a fazerem de olhos, para os pedaços de arbusto a fazerem de cabelo. Mas tanto os arbustos, como os botões, como a cenoura, como as pedras, como os ramos caíram, e ate o boneco de neve se desfez. Mais uma vez surgiu um desagrado no rosto terno do menino. A natureza já não sabia que mais fazer para que o seu amigo não fosse embora. De repente parou de chorar e despertou de novo o Sol! Chamou todos os animais, alertou todas as flores, avisou todas as árvores, para se juntarem a ela e fazerem um jogo, onde a pequena criança iria participar. Então, soprou ventos contra o seu amigo, que o fez recuar no caminho. Depois ela e os seus outros amigos, as flores, as arvores e os animais, chamaram pela pequena criança. Quando esta ouviu, desatou a correu ao encontro da natureza, mas quando chegou lá, o sol estava coberto por uma grande nuvem. Por mais estranho que parecesse a pequena criança, essa nuvem desceu ate a superfície e envolveu-a dentro de si. A criança já via tudo desfocado. Com pena, senta-se no chão, mas surge uma voz ao longe: «este é o jogo das escondidas. Tens de nos encontrar.». Conheceu assim um novo amigo – o Nevoeiro. Mais uma vez o sorriso encantador da pequena criança surgiu, e alargou-se de orelha a orelha. A criança pôs-se firme e desatou á procura dos seus velhos e eternos amigos.
Quando um amigo nos vê sorrir, sorri connosco. Quando um amigo nos vê chorar, chora connosco. Quando um amigo nos vê partir, não nos diz para ficar, vai connosco. Quando um amigo nos vê triste, não entristece connosco, mas dá-nos razões para ficarmos felizes.
Sem comentários:
Enviar um comentário