sábado, 27 de março de 2010

A Gota De Orvalho


Severamente mergulhado numa pequena e gelada gota de orvalho à qual não sei as suas razões. Nasceu de um indeterminado e infinito manto azul que de vez em quando transporta consigo derradeiras manchas de algodão de fumo branco, que quando sujas escurecem, e trouxeram até mim a gota de orvalho onde estou encurralado! Gostava eu que esta gota de orvalho fosse uma bola de sabão à qual uma criança vinha tentar rebentar, e dando-se esse acontecimento soltava-me com a sua verdadeira e sincera inocência, sem querer pedir nada em troca, e esboçando o seu confortante e esplêndido sorriso. Criança, essa que eu anseio tanto vir a ser para poder viver no maravilhoso mundo de imaginação, naquele mundo onde podemos ter o direito de sentir-nos felizes, mesmo que, não sabendo o que significa a palavra “felicidade” na realidade e na veracidade! Receio porém que esse dia não vai chegar! Suspeito até que esta gota de orvalho, em que eu estou enjaulado, só irá evaporar se num brilhante e enriquecedor dia de Sol, houver a dignidade de um raio dar-se ao trabalho de o fazer. No entanto, continuo á espera! Aproveitei então para me sentar neste macio e molhado interior da gota de orvalho e pensar como será o mundo lá fora, melhor ou pior, que o mundo que vivi antes de ser severamente mergulhado neste pequena e gelada gota de orvalho.

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