quarta-feira, 7 de abril de 2010

Uma História De (Des)encantar





Prólogo - Um lugar m(eu)





Estou sem palavras para dizer, estou sem sentimentos para sentir, estou sem nada: estou perdido neste enigmático lugar indeterminado! Estou sem pensamentos para pensar, estou sem acções para fazer, estou sem problemas para resolver, estou sem pessoas para ajudar: estou sozinho num lugar desconhecido, á espera de um resgate! Estou à espera que seja ela, a «princesa de um conto de fadas»: estou à espera que seja ela que pegue no seu belo e grandioso cavalo branco e estou à espera que seja ela a seguir, com a sua armadura posta, ao meu encontro! Estou à espera que seja ela a enfrentar, corajosamente e inocentemente, os poderosos guardas deste lugar invulgar! Estou à espera que seja ela a entranhar a espada no coração do malvado dragão das masmorras, estou à espera que seja ela a cortar as três cabeças do cruel cão das três cabeças, estou à espera que seja ela a desproteger a «fada má» do seu desconfortante feitiço, estou á espera que seja ela a derrotar irreversível guerreiro que se encontra a porta deste lugar indeciso!


A Espera


Estou à espera que seja ela a correr, a correr em direcção a um pobre e infiel humano preso neste lugar confuso que se dignou a esperar, esperar, esperar: alguém que esteve lá do cume da montanha, alguém que podia ver tudo sobre o outeiro e deixou-se cair, deixou-se cair até ao profundo e desesperado vale!


A Batalha


Alguém que com um movimento brusco estendeu a espada em direcção ao seu inimigo, fitou-o com um olhar mostrando a sua inexplicável bravia. Tentou desencorajar o seu oponente com a sua postura firme e robusta. Avançou em direcção ao inimigo e com uma esplêndida arte de manobrar a espada batalhou com sequências de defesa, ataque, defesa, ataque até que com uma potente habilidade de mover a espada, rodou a sua perigosa arma sobre a espada defensora do adversário, torceu de um modo severo a mão do mesmo e com um ligeiro toque de maravilha, arrebatou a espada da mão do oponente, atirando-a para o mais longínquo possível, de modo a deixar o seu presente inimigo desprotegido e, colocando-o à sua mercê. Com um majestoso passo para a frente, encostando o seu corajoso braço sobre o peito do inimigo, colocou o seu fiel e inevitável inimigo estendido no chão. Com um movimento ríspido, apontou a sua orgulhosa espada bicuda em direcção ao medroso pescoço do seu fiel inimigo e, quando poderia simplesmente acabar com todo o mal, ergueu a mão lá no alto, (o seu adversário, estatelado no chão, fecha os olhos) e com uma deslocação rápida do seu poderoso objecto em modo ofensivo, espetou-o no chão a insignificantes centímetros do pobre e verdadeiro adversário, e com a sua voz mais fracassada proclamou uma só palavra: RENDO-ME!

O Epílogo - Um(a) Vence(dor)


Foste fraco, poderoso e irremediável batalhante! Maldito sejas, ó grandioso e cobarde sentimento que derramas-te a tua lágrima neste momento de glória e deixas-te reter em ti a grande mágoa e desilusão de uma batalha honrada e perdida. Agora encurralaste-me aqui neste lugar misterioso, refém de um inimigo que poderias, simplesmente, ter esquecido na majestosa e honrada batalha em que tu estavas por cima, em que tu, inevitável sentimento, eras o Vencedor!




«Repetido é o sentimento que não deixa ser esquecido»

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