Complexo? Complexo é a testemunha de como anda a minha
cabeça. De como dentro dela o cérebro se encontra recebendo o sangue bombeado
de um coração confuso e triste. Depois queixam-se. Queixam-se de ser
incompreensível, de ser estranho. Obrigado, digo eu, obrigado. Venham fazer
melhor trabalho com uma máquina amolgada, abatida. Com uma máquina carente de afeto,
carente de atenção, carente de amor. É tão triste trabalhar onde não se quer,
como sentir o que não se gostam e não sentir o que se gosta. Sofrer sem razão,
sorrir sem razão, chorar sem razão, falar sem motivo, andar sem sentido, deitar
e dormir leve que nem uma pena, feito algodão. O algodão não engana, o coração
também não e os olhos são os portadores desse sentimento. Brilham ao sol,
choram á chuva, murcham com o tempo cinzento, arrebitam com o céu limpo. Limpo
de quê? Limpo de desavenças com o passado, limpo para alegrias no presente e
felicidade no futuro. Queremos isso! E depois pensas: ainda complexo?

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