quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Pico Da Vida

















Quando a tristeza me arrefece a alma, sinto-me obrigado a desaguar a mágoa no que me dá prazer. Assim, eu toco viola e vou compondo músicas. Estas músicas com um conteúdo, por vezes pobre, fazem libertar todas as sensações do momento e deixar-me num estado de espírito tão cansado que por alguns momentos estou impossibilitado de sentir, (é claro que isto é uma hipérbole, nós estamos sempre a sentir). Os sentimentos são origem de algo que nos toca por dentro, trazendo-nos felicidade ou não; é algo que nós não podemos querer sentir, mas que sentimos sem querer, tal como o amor. Já se tem ouvido falar, muitas vezes, que “o amor não é algo que queremos sentir, mas algo que sentimos sem quer”.

As circunstâncias da vida têm-me levado a escrever tanto que as minhas músicas têm ficado cada vez mais ricas em novas ideias, em novos assunto e em novos sentimentos. Por vezes, sinto que não devo revelar o que me vai na alma, então, aí, as minhas músicas são compostas em inglês. Não sei se correcto, mas opto por vocabulário mais básico. Foi esta a maneira que arranjei para “esconder” os meus sentimentos, pois nesta altura da minha vida por mais que doa, os sentimentos acabam por desaparecer.

Estou na melhor fase da vida onde devo aproveitar ao máximo: divertir-me, conviver com muitas pessoas, arranjar amigos, estar com quem quero, fazer o que gosto.

Comecei a aprender a tocar viola por volta dos 16 anos. Nessa altura, tinha virado moda! Eu que sempre ouvia o meu irmão a tocar viola, achei que seria interessante aprender também. Então punha-me em frente ao computador e ia vendo as posições e tentando fazê-las. Aprendi a tocar viola em casa, sozinho. Achei tentador tocar músicas inventadas. Tudo começou por brincadeira! Depois comecei a perceber que me sentia noutro mundo (num mundo bem mais tranquilo) quando tocava viola e sentia os sentimentos impostos pelas mesmas.
Agora sinto a evolução, sinto palavras novas a surgirem na minha cabeça para eu as escrever no papel. Depois fazer uma frase, fazer uma estrofe, fazer uma nova canção!
Antes escrevia tudo aquilo que acreditava que existisse, mesmo que baseado em «forças místicas» que não tenho a certeza se existem. Forças essas poderosas como o destino. Destino esse que traça o futuro, e que me levava a pensar que não estava a ser bom para mim. Então eu exprimia esse meu sentimento nas músicas que compunha, mostrando-me desagradado com o que me iria “sair na sorte” no futuro!

Contudo, devido a acontecimentos da vida, por vezes bons e por vezes maus, sei que pode haver, não destino, mas consequência das escolhas que tomamos: que não temos destino certo, mas destino provisório que pode ser alterado de dia para dia. Então eu surjo no mundo para decidir o que fazer, e fazer no dia como se fosse o último: nunca “deixar para amanha o que posso fazer hoje”. As oportunidades não surgem, criam-se.

Esta serie toda de momentos, é que me levou a estar aqui agora. Estar aqui a mostrar o que sinto, a mostrar o que escrevo. Não quero mostrar ao mundo que estou bem ou estou mal, quero mostrar que escrever enriquece a alma e faz com que não nos sintamos sós.

Desta maneira escrevo, escrevo sempre que estou triste, sempre que se me entranha um aperto no coração que me deixa num estado lastimável. (No entanto, continuo a escrever as minhas letras e a compor as minhas músicas!) Eu escrevo os textos com a mesma seriedade como quando falo com alguma pessoa ou com a própria pessoa em causa.

Escrevo como se tivesse a falar, sempre sem voltar atrás para corrigir uma ou outra palavra, isto porque eu não quero pensar! Recuso-me a pensar! Sei que é impossível porque o simples facto de escrever faz-me pensar, mas quero, pelo menos, pensar o mínimo, sentir o mínimo, aproveitar ao máximo! Aproveitar ao máximo o PICO DA VIDA!

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