sábado, 13 de fevereiro de 2010

Uma Corda Solta


























Sem saber porque, sem me controlar, dei por mim num mundo novo, num mundo que não sei explicar. Tudo aqui é diferente e eu não consigo estar no meu canto tranquilo por mil e uma coisas se atravessarem no meu pensar e eu fico sem saber o que fazer a seguir. Tento adivinhar respostas, perguntas, assuntos, reacções que possam vir a acontecer. Gostava de saber pensar, de saber pensar do outro lado, assim sabia o que lá se sente e sabia como por as emoções dentro do lado que desconheço, dum lado indeterminado que não vai lá com cálculos. Será que a indeterminação tem uma solução? Será que é possível resolver ou vai dar impossível? Por mais que me custe admitir a matemática esta em tudo e nós sofremos por ela! Possivelmente há destino e ele ajuda-nos no que acha que deve ajudar, mas também nos complica a vida e nos faz pensar. Não sei que dizer nem o que fazer para que sejam as coisas, pelo menos desta vez, diferentes do que têm sido: assim com um toque de facilidade, com o toque de “agora quero ajudar-te”, mas, para variar, continua a complicar, a complicar, a fazer pensar, pensar, pensar, a tentar ver onde a paciência consegue chegar! Se calhar nem chega ou deixa de chegar porque não fomos feitos para desperdiçar momentos da vida à esperar que algo aconteça, mesmo quando não nos cabe a nos fazer qualquer coisa num determinado momento. Já que estamos no mundo do pensar, eu gostava de perguntar porque temos consciência: para que serve? É útil? É vantajoso? É desvantajoso? Eu só me lembro de “ter peso na consciência”, “ter consciência que fiz mal”, “ter consciência que se devia fazer de outra maneira". Assim acho que é mau termos a consciência, porque sem ela éramos mais felizes. Fazíamos as coisas sem darmos importância se era uma coisa boa ou má, até porque, se houvesse outra pessoa em causa, não nos ia julgar em nada que fizéssemos, pois também não teria consciência de nada. Namorávamos por intuição, éramos amigos porque calhou, não havia conflitos, não havia nada que nos fizesse pensar como havíamos de agir. A consciência até já está a ser desvantajosa, porque me está a fazer imaginar (pensar) como seriamos sem ela: uma coisa que nos dá coisas tão boas de podermos sentir, como o amor, a amizade, a saudade, o afecto, o carinho! Afinal é bom termos a consciência de que sentimos isso ou não? Estou aqui a pensar se seria possível haver a consciência que nos fizesse não ter consciência das coisas; que nos impedisse de pensar, tal como nos pode impedir de agir. Depois de tanto pensar num mundo impossível, começo por pensar que coisas podem acontecer mesmo que, à partida, se mostrem bastante impossíveis, coisa que nos é incutida pela consciência! Esta malandra está em todo o lado, não nos larga e faz-nos ter, como diz Fernando Pessoa, “momentos de felicidade”.

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