Por coincidência ou não, hoje quando
procurava algo sem importância
no meu
quarto encontrei no meio dos cadernos e
coisas fora do sítio um livro.
Este livro é
igual a tantos outros, com a particularidade
de estar meio lido. Um livro que só foi lido
metade e agora andava ali abandonado como
muitas vezes
eu sinto estar. Curiosamente este
livro traz uma capa divida em duas imagens
onde
uma delas é evidente o azul e noutra o vermelho. O
frio e o quente. O céu
e o inferno. O bem e o mal. E
por milhares de coisas que se possam passar na
nossa ca-
beça, isto não podia passar em vão. Ainda mais curioso é, que
a imagem
em tons vermelhos, é maior. Ocupa quase dois-terços
da capa e isso ainda nos
intriga mais. Porque é que a parte que nós
interpretamos como a má, é maior? Para
quem não conhece o livro
e visse esta capa, ficaria intrigado como eu (que sei
metade), se fosse alguém que olha para as coisas sem-
pre da forma metafórica.
Mais curioso é o porquê de ter
sido hoje a reparar nisso a pensar nisso. Será
um sinal?
Será que quem desenhou a capa,
quem pensou como ela ia ser feita fê-lo
por acaso? É
estranho quando olho para ela e sinto a impressão de
que a
imagem que representa o bem, está a ser
consumida pelo mal. É mais estranho
ainda,
quando eu vejo nesta capa as pessoas da vida
real. Quando sinto que é
isto que nós somos. O mal
a alastrar. Ou somos ou sentimos, temo-lo sempre
connosco. Até eu, por ter essa impressão
de que a imagem má esta a consumir
a
boa.Talvez seja um acto sem esperan-
ça, talvez ache que um dia o pessimis-
mo
vai nos consumir e nós vamos viver
na amargura para sempre. É certo que
talvez
um dia toda a representatividade
da imagem a azul, do bem, seja esquecida
em
função do mal.Se tenho medo, ou algum
medo, tenho e acho que é disto, de
que, na outra
metade da história que eu deixei por ler, o mal vença.
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